Oi, turma!
Trouxe
hoje mais trecho de “interação” entre os heterônimos, desta vez Álvaro de
Campos relatando uma conversa que teve com Caeiro:
[...] Referindo-me, uma vez, ao conceito direto das
coisas, que caracteriza a sensibilidade de Caeiro, citei-lhe, com perversidade
amiga, que Wordsworth designa um insensível pela expressão:
A primrose by river’s brim
A yellow primrose was to him,
And it was nothing more.
E
traduzi (omitindo a tradução exata de “primrose”, pois não sei nomes de flores
nem de plantas): “Uma flor à margem do rio para ele era uma flor amarela, e não
era mais nada.”
O mestre Caeiro riu. “Esse simples via bem: uma flor
amarela não é realmente senão uma flor amarela”.
Mas, de repente, pensou.
“Há uma diferença”, acrescentou. “Depende se se considera
a flor amarela como uma das várias flores amarelas, ou como aquela flor amarela só”.
E depois disse:
“O que esse seu poeta inglês queria dizer é que para tal
homem essa flor amarela era uma experiência vulgar, ou coisa conhecida. Ora
isso é que não está bem. Toda a coisa que vemos, devemos vê-la sempre pela
primeira vez que a vemos. E então cada flor amarela é uma nova flor amarela,
ainda que seja o que se chama a mesma de ontem. A gente não é já o mesmo nem a
flor a mesma. O próprio amarelo não pode ser já o mesmo. É pena a gente não ter
exatamente os olhos para saber isso,
porque então éramos todos felizes.”
Muito
legal, não é? Digam-nos o que acharam!
Bibliografia
consultada:
PESSOA, F. Caracterização
individual dos heterônimos. In: Obras
em Prosa. 1° Ed. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1974.
Bjs
Thayna.

Nenhum comentário:
Postar um comentário