terça-feira, 8 de maio de 2012

Olá, pessoal!

Trago hoje mais poemas de Pessoa. Em Autopsicografia temos o "fingimento da sinceridade poética". "Fingimento", pois mesmo quando o poeta sentiu a emoção que o motivou a escrever, a expressão não é a mesma, logo sentir é uma coisa, exprimir é outra.

Autopsicografia


O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é a dor 
A dor que deveras sente.


E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.


E assim nas calhas de roda
Gira, a entender a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração. 




Fernando Pessoa é um poeta extremamente intelectualizado e anti-sentimental. Em seus poemas ele analisa as emoções de forma profunda e não somente em sua simples expressão. No poema a seguir, que trata de música, ele faz muito mais do que apenas transmitir emoções, ele realiza um exame penetrante e perturbador sobre a emoção causada pela audição de uma música qualquer. 

Pobre velha música!
Não sei  por que agrado,
Enche-se de lágrimas
Meu olhar parado.


Recordo outro ouvir-te.
Não sei se te ouvi
Nessa minha infância
Que me lembra em ti.


Com que ânsia tão raiva
Quero aquele outrora!
E eu era feliz? Não sei:
Fui-o outrora agora. 


Bibliografia:
Rodrigues, M. Literatura Portuguesa. 2ª Ed. São Paulo: Ática, 1997.

Abs, Karen.

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