ÁLVARO DE CAMPOS: O "Poeta-engenheiro"
Olá, pessoal!!! =)
Trataremos hoje do heterônimo Álvaro de Campos do nosso grande Fernando Pessoa. Segue algumas informações sobre sua biografia, fases vividas e dois poemas por ele escritos.
Álvaro de
Campos nasceu em Lisboa em 13 de outubro de 1890. Viajou pelo Oriente e pela
Europa, mas permaneceu um tempo considerável em Glasgow, na Escócia, onde estudou Engenharia
Naval. Poeta sensacionalista e futurista, apreciava discorrer sobre
acontecimentos históricos, como por exemplo, a Revolução de 1926, ocorrida em
Portugal.
Este
heterônimo de Fernando Pessoa passou por basicamente 3 fases sendo:
Decadentista, Futurista/Sensacionalista e a última Intimista/Pessimista.
Características das fases:
1-
Decadentista: fase onde o poeta expressa seu tédio,
cansaço e a busca de novas sensações. Neste período, Campos busca fugir da monotonia
e utiliza-se de símbolos e imagens que marcam o Romantismo e o Simbolismo;
2-
Futurista/Sensacionalista: fase influenciada por Walt Whitman e
Marinetti, membros do manifesto futurista. Aqui, o poeta exprime a atração
pelas máquinas que representam a civilização moderna. Nesta fase há uma ruptura
com o subjetivismo da lírica tradicional, pois nota-se um excesso de sensações;
3- Intimista/Pessimista:
esta última fase traz
de volta o cansaço, o abatimento e a angústia. Neste período, Campos sente-se
vazio e incompreendido, o que o faz abordar os seguintes temas: a solidão, a
incapacidade de amar, a descrença, a nostalgia da infância, a frustração e a
oposição aos sonhos.
Apontamento
A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.
Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.
Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.
Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?
Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.
Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.
Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.
Magnificat
Quando é que passará esta noite interna, o universo,
E eu, a minha alma, terei o meu dia?
Quando é que despertarei de estar acordado?
Não sei. O sol brilha alto,
Impossível de fitar.
As estrelas pestanejam frio,
Impossíveis de contar.
O coração pulsa alheio,
Impossível de escutar.
Quando é que passará este drama sem teatro,
Ou este teatro sem drama,
E recolherei a casa?
Onde? Como? Quando?
Gato que me fitas com olhos de vida, que tens lá no fundo?
É esse! É esse!
Esse mandará como Josué parar o sol e eu acordarei;
E então será dia.
Sorri, dormindo, minha alma!
Sorri, minha alma, será dia!
Bibliografia:
PESSOA, F. Caracterização individual dos heterônimos. In: Obras em Prosa. 1° Ed. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1974.
Até mais, queridos!
Karen Camargo.

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