Olá, pessoal!
Hoje o heterônimo a ser analisado é Ricardo Reis. Representado a faceta
clássica da obra pessoana Ricardo Reis tem como características fundamentais a
racionalidade, equilíbrio, convencionalismo, fuga e controle de emoções
intensas, busca da perfeição e simplicidade das coisas e o paganismo (mitologia
greco-latina).
Segundo sua biografia, Reis foi educado em colégio jesuítico, é amante
da cultura clássica e reside no Brasil.
Traço marcante de sua obra é consciência da inevitabilidade da morte e
da passagem do tempo, devendo-se assim aproveitar os prazeres da vida, mas com
racionalidade. Vejamos algumas destas características em alguns de seus poemas:
Só o ter as flores pela vista fora
Nas áleas largas dos jardins exatos
Basta para
podermos
Achar a vida leve.
De todo o esforço
seguremos quedas
As mãos, brincando, para que não nos tome
Do pulso, e nos
arraste.
E vivamos
assim,
Buscando o mínimo
de dor ou gozo,
Bebendo a goles os instantes frescos,
Translúcidos
como água
Em taças
detalhadas.
Da vida pálida
levamos apenas
As rosas breves, os
sorrisos vagos,
E as rápidas carícias
Dos instantes
volúveis
Pouco tão pesará nos
braços
Com que, exilados das supernas luzes,
Escolhermos do
que fomos
O melhor para
lembrar
Quando, acabados pelas Parcas, formos,
Vultos solenes de repente antigos,
E cada vez mais
sombras,
Ao encontro
fatal
Do barco escuro no
soturno rio,
E os nove abraços do horror estígio,
E o regaço
insaciável
Da pátria de Plutão.
Tudo o que cessa é morte, e a morte é nossa
Se é para nós que cessa.
Aquele arbusto
Fenece, e vai
com ele
Parte da minha
vida
Em tudo quanto olhei fiquei em parte.
Com tudo quanto vi,
se passa, passo,
Nem distingue a memória
Do que vi do
que fui.
A cada qual, como a
statura, e dada
A justiça: uns
fez altos
O fado,
outros felizes.
Nada é prêmio:
sucede o que acontece.
Nada, Lídia, devemos
Ao fado,
senão tê-lo.
Vejamos agora um
interessante texto que sintetiza as características fundamentais de Ricardo
Reis:
O Epicurismo triste de R. Reis
Resume-se num epicurismo triste toda a filosofia da obra de
Ricardo Reis. Tentaremos sintetizá-la.
Cada qual de nós – opina o Poeta – deve viver a sua própria
vida, isolando-se dos outros e procurando apenas, dentro de uma sobriedade
individualista, o que lhe agrada e lhe apraz. Não deve procurar
os prazeres violentos, e não deve fugir às sensações dolorosas que não
sejam extremas.
Buscando o mínimo de dor ou [...], o homem deve procurar sobretudo
a calma, a tran- quilidade, abstendo-se do esforço e da atividade útil.
[...] Devemos buscar dar-nos a ilusão da calma, da liberdade e
da felicidade, cousas inatingíveis porque, quanto à liberdade, os próprios
deuses – sobre que pesa o Fado – a não têm; quanto à felicidade, não a pode ter
quem está exilado de sua fé e do meio onde a sua alma devia viver; e quanto à
calma, quem vive na angústia complexa de hoje, quem vive sempre à espera da
morte, dificilmente pode fingir-se calmo. A obra de Ricardo Reis, profundamente
triste, é um esforço lúcido e disciplinado para obter uma calma qualquer. [...]
FREDERICO REIS
A
partir deste excerto pode-se reforçar características já citadas e depreender
outras como a indiferença à vida social.
É
importante guardar todas estas características pois servirão de base para as
leituras e reflexões posteriores.
Bibliografia
consultada:
CEREJA, W. R. & MAGALHÃES, T.
C. A literatura Portuguesa do século XX. In: Português: Linguagens. 7º
Ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
PESSOA, F. Caracterização
individual dos heterônimos. In: Obras
em Prosa. 1° Ed. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1974.
Abs, e
até a próxima!
Thayna
Ótimo texto Thayna! parabéns!
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